Quando Gervásio Steffens retornou da Alemanha à casa da família, no Morro Bambu, houve uma grande festa organizada pelos seus pais e irmãos
Quando Gervásio Steffens retornou da Alemanha à casa da família, no Morro Bambu, houve uma grande festa organizada pelos seus pais e irmãos
22/10/2009 às 14:38
Ao aceitar o convite para estagiar na Alemanha, o pedreiro Gervásio Steffens, talvez não compreendesse a intensidade da palavra Sehnsucht, mas com o passar dos dias no pais europeu sentiu na pele o que os imigrantes queriam dizer com a “saudade da terra natal”. Quando estava quase fechando um ano de estada no país governado por Frau Merkel, Gervásio, teve uma queda e machucou-se, sendo logo submetido à cirurgia no joelho. Estava ali, preso dentro de casa, sem poder trabalhar, e tudo ainda haveria de piorar, afinal, a turma que havia viajado com ele estava regressando ao Brasil, enquanto ele aguardava a liberação do médico.
A saudade apertava a cada dia, mas forte e acostumado com a dura vida no campo, Gervásio (Petis) aguardou o dia de seu regresso, e desembarcou em Porto Alegre no dia 15 de outubro. Para sua surpresa, lá estavam, no Salgado Filho, suas irmãs, Marisa e Rosane, o cunhado Valdir, a mãe Ilce e o sobrinho Bruno (que ele havia visto em seus primeiros meses de vida). Claro, lágrimas de emoção foram derramadas. “Fui buscar meu irmão, pois sabia do que isso representaria para ele”, destacou Marisa, vibrando com a volta do caçula dos Steffens ao lar.
Ao chegar no Morro Bambu, onde mora a família, Petis, tratou de entregar os presentes que havia comprado para os familiares e começou a contar as suas histórias. Nilson, um dos filhos que mora em casa, olhou para a face do caçula, lhe agradeceu o presente tendo lágrimas em seus olhos, tamanha era a emoção do reencontro. “A camiseta é bonita, mas a do Inter é mais bonita”, disse Nilson, aproveitando para alfinetar o caçula que é torcedor doente do tricolor.
No domingo, dia 18, os familiares todos se reuniram na casa dos Floriano e Ilce Steffens, com um único motivo: festejar o retorno do caçula ao lar. “Já estava na hora dele voltar, porque a gente queria que o Kerb na casa do pai e da mãe acontecesse logo”, disse Jaime Steffens, sorrindo ao saber que o domingo seria de boa comida e família reunida.
Um livro de histórias em carne e osso
Com centenas de histórias para contar de um país tão diferente do nosso, Petis, relatou com detalhes os encontros e desencontros que teve por lá, dando um enfoque todo especial a amizade que fez com Carlos Eduardo (ex-Grêmio). Segundo conta, em várias oportunidades, ele esteve com o amigo jogador, o que o ajudou a apagar a falta que o Brasil lhe fazia. Não é de duvidar que, nas férias do boleiro, ele venha até Bom Princípio encontrar o amigo que mora no interior do município.
“Vou sentir falta de lá também, mas agora quero curtir a família e os muitos amigos que tenho por aqui”, destacou Petis, que logo no primeiro dia seria recebido pelos amigos do Ibis, time pelo qual torce em Bom Princípio, mas optou ficar com os pais para, dias depois confraternizar com os parceiros de festa. Por falar em Íbis, se depender de Petis, os alemães conhecem o time de Bom Princípio, afinal, se não estava usando a camiseta do Grêmio era o uniforme do Íbis que ele vestia. Na tarde de sábado, Petis estava no centro de Bom Princípio confraternizando com os amigos do Íbis o título conquistado pelo clube na noite anterior.
O que também marcou muito a estada de Petis por lá foi o dia em que seus irmãos Jaime e Nilvo, e a cunhada Míriam, estavam excursionando pela Alemanha. Sabia o caçula que o dia de voltar ao Brasil não tardaria, mas a vontade era embarcar, naquele dia mesmo, no avião dos irmãos que ao mesmo tempo mataram sua saudade e fizera com que ela aumentasse.
A partida da Alemanha também foi marcada pela emoção, tanto que Petis recebeu homenagens por lá. “Ele ganhou um certificado de churrasqueiro oficial da turma”, destacou Marisa, contando que Petis, deu show na cozinha por lá. E não é de duvidar, pois ainda antes de viajar ele já era muito bom na cozinha e, agora, pode incrementar o seu livro de receitas, mesclando os conhecimentos brasileiros com os pratos típicos da Alemanha.
Quando a mãe lhe ofereceu um pedaço de cuca, Petis sorriu, dizendo que lá na Alemanha “tudo” é chamado de cuca, mas nada se assemelha ao que a mãe faz.
Outras diferenças culturais chamaram atenção, como os hábitos de asseio dos europeus. Os alemães que tomam apenas um banho por semana (em casos extremos, tomam mais) brincavam com Petis, dizendo que assim, tomando vários banhos, ele estaria gastando a pele de tanto se limpar. O diferente hábito tem relação com a cultura de economia de água, mas ao que parece nem Petis nem os outros brasileiros se habituaram a isso.
Ainda que tenha recebido o convite para voltar à Alemanha, Petis, por hora, pensa em ficar pelo Brasil, aproveitando os conhecimentos que adquiriu nas fazendas germânicas para aplicar isso por aqui. “É uma excelente oportunidade para ver coisas novas, aprender a conhecer realidades diferentes e, também, viajar para cidades belíssimas”, apontou Petis, que recomenda estes estágios a todos os jovens que dominam uma língua estrangeira e buscam por intercâmbio.
Aos interessados para ir à Alemanha o contato na região é o professor Jacinto Klein, de Bom Princípio, que já encaminhou quase uma centena de jovens para lá.