Saúde em salão de baile

Saúde

Ao menos momentaneamente o Salão Ludwig será o local de atendimento da saúde em São Roque


23/12/2009 às 14:01

Feliz -

Foi encontrada uma solução para um assunto polêmico ligado a comunidade de São Roque: o local de atendimento dos profissionais da Estratégia de Saúde da Família (ESF, antigo PSF) Pioneiro, responsável não só pela localidade, mas também por Nova Caxias, Picada Cará, Bananal, Canto Port, Canto Chuchu, Linha Temerária e Coqueiral. Desde que o atendimento no prédio cedido pela Cooperativa Piá foi interrompido, a Secretaria Municipal da Saúde busca junto a comunidade um consenso sobre o local para os atendimentos. “Tentamos vários locais, mas sempre havia algum empecilho, pessoas que não concordavam. Por isso, em uma visita do vereador Maurício Kaspary a Unidade Básica de Saúde do centro, pedimos que ele intercedesse na comunidade em prol de um consenso”, relata a enfermeira Jacqueline Kops Simon. Como o vereador não se manifestou, a Saúde uniu-se a Secretaria de Gestão Pública em busca de um espaço para os atendimentos, que passa a ser o Salão Ludwig.
A falta de acordo com a comunidade preocupa a profissional da saúde felizense. “Em todas as outras localidades do município, os próprios interessados empenharam-se em encontrar um local para os atendimentos, seja na casa de alguém, em uma escola, salão paroquial. Houve essa integração entre a Secretaria e a comunidade e o problema foi resolvido. Só no São Roque isso infelizmente não acontece, e não entendemos o por quê”, lamenta.
O secretário da Saúde, Fábio Krindges, lembra que o Município tem feito sua parte, que é a de disponibilizar o local de atendimento. “Como o prédio da Piá está em condições precárias e não podemos investir em reformas exatamente por não ser do Município, corremos atrás e firmamos parceria com o Estado para a construção de um novo posto de saúde no São Roque. Este processo está em andamento e vai beneficiar a todos que são atendidos pela Estratégia de Saúde da Família (ESF) Pioneiro. Contato feito na segunda-feira com a Secretaria Estadual de Saúde adiantou que o depósito do valor conveniado deve ser feito até o final do ano”, salienta. Ao mesmo tempo, ela agradece à Cooperativa Piá por ter cedido o prédio por tantos anos. Enquanto se aguarda o novo posto, seguem sendo realizados os atendimentos domiciliares: em dezembro, foram feitas 870 visitas pelos agentes e 25 visitas pela equipe do ESF.
Legislação separa saúde básica e emergência
A lei e diretrizes da atenção básica do SUS prevêem que a função do Posto de Saúde é atenção básica, priorizando a prevenção e recuperação do paciente. Por isso, a Secretaria de Saúde sempre adverte que as urgências/emergências de Feliz devem ser atendidas no plantão 24 horas do Hospital Schlatter.
Lamentavelmente, alguns vereadores usam seu espaço na Câmara de Vereadores para informar de forma errada os cidadãos. Conforme a lei 8080, a saúde não pode realizar serviços e ações duas vezes (em duplicidade). Ou seja, as equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) devem atender a sua microárea, promovendo palestras, visitas domiciliares, atendimentos descentralizados, ações que cuidem e auxiliem para melhorar a qualidade de vida e evitem que as pessoas adoeçam. “Como o próprio nome já diz, temos um posto de saúde e não de doença. Trabalha-se a prevenção. A saúde não está na porta dos hospitais. Ao contrário, está exatamente fora deles”, salienta Jacqueline. Por outro lado, o plantão do hospital - gratuito devido ao convênio com o SUS - atende a urgência e emergência: pacientes com dor, febre, sangramento, acidentes, entre outros. Conforme o caso, o paciente é liberado, internado ou transferido para os centros de referência - conforme a complexidade do caso.
As pessoas também confundem a finalidade das visitas domiciliares, que não são uma consulta domiciliar a ser feita pelo médico e sua equipe. “Ela é uma visita a família, para avaliar o contexto familiar, onde mora, suas restrições e necessidades”, comenta Jacqueline. Também são feitas visitas para pacientes acamados ou recém operados e que não podem se deslocar ao posto. As solicitações de visitas são feitas junto a Estratégia de Saúde da Família (ESF) e avaliadas pelo equipe de enfermagem.
O secretário Fábio coloca-se a disposição, assim como a toda equipe da Saúde, para esclarecer as dúvidas dos vereadores. “Já convidamos a todos visitar o posto de saúde e o hospital para conhecer as instalações, conferir as melhorias que estão sendo feitas e também o atendimento dado aos felizenses”, frisa. Com isso, será possível evitar que os vereadores levem a tribuna informações erradas, distorcidas ou desatualizadas.
SUS é fruto de
trabalho conjunto
O processo de implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) ocorreu em todo o Brasil a partir de 1990, quando foi criada a Lei 8080\1990. Com isso, todos os municípios que se habilitassem, cumprindo os pré-requisitos da lei, teriam o atendimento gratuito disponível, e na cidade de Feliz isso não foi diferente. O processo de habilitação incluía a criação do Conselho Municipal de Saúde (CMS), do Fundo Municipal de Saúde, a apresentação do Plano Municipal de Saúde e do fluxograma de atendimento. E todos os requisitos deviam primar pelos princípios do SUS: integralidade, gratuidade, equidade, universalidade, participação social e descentralização.
“O SUS não é, e não foi, uma estrutura que se formou com uma pessoa isolada”, afirma a enfermeira Jacqueline Kops Simon, o que difere do que o vereador Paulo Hahn afirmou na sessão da Câmara de 18 de dezembro - quando disse que a existência do SUS no Município deve-se ao somente ao doutor Paulo Caye. “O atendimento via SUS no Município teve como marco inicial a plenária em 16 de abril de 1991, quando foi criado o Conselho Municipal de Saúde e o Fundo Municipal de Saúde, conforme as leis municipais 809/91 e 810\91 e o decreto 993\91”, detalha a enfermeira.
Conforme as atas, participaram do processo de implantação do SUS em Feliz várias pessoas da comunidade, como Arno Klering, Orestes Gabardo, Margarida Buchmann, Theo Tassilo Schlatter, Edwino Becker, Hilário Lopes, Bernardete Assmann, Maria Elisabeth Selbach, Omar Gums, Therezinha Edel Steiner, Maria Cristina Franzen, Jonas Alves Machado, Pedro Cristh, Maria Beatriz Britz, Ivone Schneider, Mara Willrich, Ema Seidel, Remi Palavro, Jacqueline Kops, Antônio Bassan, Lino Ludwig, Maria Helena Baumgarten, Milton Schmitz e Justina Onzi, que foi uma das principais articuladoras do processo.

Edição nro. 196

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