Depois de encontrar em livro antigo dados sobre a origem de Salvador do Sul, Evídio Becker, iniciou trabalho de resgate cultural
Depois de encontrar em livro antigo dados sobre a origem de Salvador do Sul, Evídio Becker, iniciou trabalho de resgate cultural
17/01/2012 às 09:35
Visto como uma pessoa de grande inteligência, Evídio Becker, é incansável na busca de sabedoria, assim, quando recebeu do jornalista Alex Steffen uma cópia do livro que versa sobre os 100 anos de imigração alemã, editado em 1924, ele foi a caça de informações. “Temos dados sobre Salvador do Sul, mas no livro podemos encontrar algo mais”, destacou o professor ao tomar o livro em mãos.
E depois de duas semanas com o material em mãos Evídio Becker, o professor Evídio como é mais conhecido, pegou o material em mãos e chamou ao jornalista para comunicar uma descoberta. “No livro consta que o primeiro imigrante alemão de Salvador do Sul foi Peter Heck, em 1855”, aponta o professor. Assim, Steffen, juntamente com o professor, deu continuidade à pesquisa.
Conforme relato encontrado no livro sobre os 100 anos da imigração alemã, que retrata o período entre 1824 e 1924, está escrito na página 106 que o primeiro imigrante de origem germânica de Salvador do Sul é Peter Heck. Sabedores que a origem deste homem que também foi desbravador de Tupandi e Harmonia, ao lado de Peter Kuhn.José Inácio Teixeira, mais conhecido pelo nome de Juca Inácio, mandou, em 1854, medir as suas terras e confiou-as a dois colonos de São José do Hortêncio (segundo apurou Leandro Telles, o agrimensor foi o alemão Ernst Muezell e os dois colonos que fizeram a venda das terras eram Peter Kuhn e Peter Heck), para que as vendessem e colonizassem. Peter Kuhn teria se instalado em Tupandi e arredores, enquanto que Heck, em 1855, fincou raízes em Salvador do Sul.
Informada da descoberta do professor, a prefeita Carla Maria Specht solicitou maiores informações sobre Peter Heck. Segundo dados coletados junto ao historiador e escritor Felipe Kuhn Braun e a confirmação de Freimut Stephan (que é um pesquisador de genealogia na Alemanha), Heck é originário da cidade de Dickenschied. Sabedora disso a prefeita manteve contatos, por email, com o gestor da pequena cidade alemã tendo em vista um intercâmbio entre cidades.
O projeto de parceria, seguindo os modelos já existentes em Bom Princípio e São Vendelino, respectivamente com Klüsserath e Sankt Wendel, só tem a trazer benefícios para ambos os municípios (Salvador do Sul e Dickenschied). Entre os benefícios estão o estreitamento de laços culturais para que saiba de onde veio parte do povo de Salvador do Sul e também, para os alemães, para onde foram os seus antepassados. Há também benefícios ambientais e tecnológicos para o município gaúcho, já que lá há muitos equipamentos e investimentos diferentes e avançados comparados aos brasileiros.
A pequena cidade alemã tem estrutura política montada com independência de firmar o partneschaft.Não resta dúvida que portas são abertas para o desenvolvimento cultural de Salvador do Sul e também da cidade alemã, pois serão descobertos os laços históricos entre as partes.
Os contatos iniciais foram mantidos através de Freimut Stephan, que reside em Laufersweiler, cidade lindeira a Dickenschied, havendo a possibilidade ser montado um projeto de intercâmbio que deverá estreitar as distâncias entre os países. Foram mantidos também contatos por email com o prefeito alemão, Karl-Wilhelm Bender, que retornou a correspondência eletrônica deixando evidente o interesse de fazer o intercâmbio. Bender mencionou a importância do desenvolvimento cultural e disse ter conhecimento da colonização alemã no Brasil.
Segundo o relato do prefeito Bender, a cidade alemã já tem um intercâmbio, com um município húngaro e isso ajuda no desenvolvimento de ambas as partes. Dickenschied é uma pequena comunidade alemã, na região do Hunsrück, que vive da agricultura e do trabalho de artesãos.
“A descoberta feita pelo professor Evídio valoriza a nossa história e merece ser avaliada com carinho. Mantivemos contato com o prefeito de Dickenschied de maneira preliminar, pois vemos o sucesso de intercâmbios de cidades como Bom Princípio e São Vendelino”, aponta a prefeita Carla Maria Specht.
Para que um projeto como tal seja montado é necessário que passe pela câmara de vereadores, mas antes que isso ocorra a prefeita deverá estudar o assunto.