Arquiteta de profissão, Haiderose Gauer mostra sensibilidade também na hora de fotografar
Arquiteta de profissão, Haiderose Gauer mostra sensibilidade também na hora de fotografar
14/01/2010 às 13:35
A arte reside na alma de cada pessoa, contudo, descobri-la é uma tarefa digna de um herói. Ela reside nos detalhes, na minúcia e, na maioria das vezes, na autodescoberta. Assim, quando a pessoa descobre a si mesma, é muito provável, que também encontre o que a faz feliz.
Quando Haiderose Gauer estava cursando arquitetura iniciava-se um processo silencioso de descoberta de detalhes do universo a sua volta e também de si mesma, e ao descobrir o que lhe cercava, Haiderose (Haide) acabou por encontrar uma grande paixão.
“Minha admiração/paixão por fotografia foi uma situação que foi alimentada ao longo do tempo, junto com a minha formação profissional. Como arquiteta, estou sempre inclinada a perceber os espaços, a beleza das construções ou sua singularidade, seus detalhes. Sempre admirei a natureza, e com isso fui treinando o meu olhar para captar instantes de rara beleza no cotidiano. Um por do sol, flores, uma cachoeira, matas... enfim”, destaca Haide, revelando, de imediato que além da arquitetura nutre um sentimento muito forte pelo mundo dos click’s.
Aliando o seu profissionalismo como arquiteta, focada no patrimônio cultura e histórico com a necessidade de fazer registros fotográficos precisos, Haide acabou optando por fazer, ela mesma, as imagens das quais carecia. Paixão ao primeiro acionar do obturador da câmera fotográfica.
“Ao fazer o Inventário do Patrimônio Histórico de Farroupilha, comecei a perceber que não somente as casas faziam parte desse patrimônio, mas também a ambiência dessas casas, as pessoas que habitavam nelas... as flores ao seu redor. As taipas de pedra, os parreirais, as matas de auraucária, as cachoeiras... tudo contava sobre como os imigrantes tinham se apropriado dessas terras, e tudo merecia ser registrado. Passei a fotografar também essas situações, locais e pessoas, imagens que hoje fazem parte do Livro Revelando Farroupilha, junto com as fichas de levantamento técnico das edificações”, comentou Haide, que no livro apresenta imagens belíssimas.
Assim que lançou o livro, ao lado da amiga e historiadora Cristina Seibert Schneider, Haide tratou de pesquisar sobre câmeras fotográficas, adquirindo assim uma Canon Reflex Rebel T1i. O equipamento feito para iniciantes com câmeras profissionais tratou de aprimorar o trabalho da arquiteta (fotógrafa) que estudou detalhes sobre abertura de lente, velocidade do obturador, enfim, conheceu algo mais do mistério de imortalizar através da foto.
“Optei por trabalhar com uma lente Sigma 17-70mm, com abertura inicial de 2.8. Isso significa que tenho uma lente que me permite tirar fotos de paisagens, arquitetura, decoração (grande angular), mas também me permite ter um bom zoom (tele objetiva), e tirar fotos de detalhes ou de flores, bem de perto (macro fotografia). Ou seja, uma lente versátil, relativamente leve e com excelente sensibilidade a luz”, destacou Haide que fez dois cursos aprendendo o básico sobre fotografia.
“A fotografia faz parte de uma forma de ver o mundo, na verdade ela revela a forma como o fotógrafo vê o mundo. Essa arte, segundo Henry-Cartier-Bresson, alinha o olhar, a emoção e a sensibilidade para registrar um momento, uma situação. Considero um forte instrumento para registrar uma época, uma cultura, e também nossos familiares, nosso cotidiano, as pessoas que amamos. Bons momentos que merecem ser eternizados”, reflete Haide, que tem uma sensibilidade apurada a partir do berço. Filha de Izidoro e Glorinha Gauer, Haide, e seus irmãos, tiveram uma educação primorosa e sempre foram motivados a buscar pelo novo. Fica o exemplo claro para os pais de hoje, pois os talentos devem ser descobertos, um a um, e então ser lapidados com o respaldo dos pais.
“Quando fotografo pessoas, crianças e animais, procuro sempre captar um momento espontâneo, pois as fotos, na minha opinião, ficam sempre mais interessantes quando não se percebe que estamos sendo fotografados. A naturalidade e a emoção da cena são captadas fielmente”, cita a fotógrafa amadora.
Lembrando da definição literal de fotografia (a arte de escrever com luz), Haide, diz que tem maior satisfação em fotografar ao amanhecer e ao cair da tarde, encontrando assim uma luz mais apropriada para cada cena. É uma maneira de imortalizar momentos que não poderiam, jamais, ser descritos em palavras. “No entardecer, a luz alaranjada do por do sol rende fotos lindíssimas, retratos inclusive”, aponta finalizando: “Hoje vivemos na era da imagem, onde somos constantemente instigados por uma enorme quantidade de fotografias, vídeos e informações. Eu acredito na força do simbolismo da fotografia, no seu poder de comunicação para sensibilizar e educar também, mostrando através desses instantâneos situações, lugares e motivos pelos quais vale a pena refletir, admirar e mesmo lutar”.
Haide é uma daquelas pessoas que podem ser vistas como sonhadoras em busca de um mundo melhor, mas, como descrevia John Lennon, não se trata de uma sonhadora, pois se todos desejarem um mundo melhor, unidos em um mesmo sonho, o mundo, então, será como um só. Haiderose Gauer é assim, uma pessoa simples que, em sua arte, busca aprimorar o mundo dos que a circundam.