O deputado do PDT assumiu como secretário de esportes no Governo de Tarso Genro
O deputado do PDT assumiu como secretário de esportes no Governo de Tarso Genro
25/01/2011 às 20:39
Kalil Sehbe, 49 anos, começou a carreira política como vereador em Caxias. Chegou em 1997 à Assembléia Legislativa, onde cumpre seu quarto mandato. Assumiu em 2003 a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia. Jogou nas seleções gaúcha e brasileira de handebol, e presidiu a federação regional desse esporte. Formado em Administração com mestrado em Ciências Sociais, o pedetista havia concorrido a uma vaga na Câmara Federal no pleito de outubro, mas não se elegeu. Em entrevista ao Visão do Vale, o Secretário falou sobre os desafios de encarar uma secretaria criada recentemente, que ainda está em fase de estruturação. VV – Secretário, qual sua avaliação sobre o esporte, no estado, como um todo? Kalil – Primeiramente, é algo pioneiro para o Rio Grande do Sul ter uma secretaria de esportes e do lazer, é algo inédito, pois o RS vinha, até o governo Olivio Dutra, com a sub-secretaria de desporto, vinculada à secretaria de educação, e depois, no governo Olívio, foi criada a Fundergs, que é a Fundação de Esportes e Lazer. De fato agora, com muita sabedoria e com o respaldo da sociedade, o Governador Tarso cria uma secretaria do esporte e do lazer. Mas esta secretaria vai ter que ser estruturada, não somente de gestão e de recursos humanos, mas a primeira coisa que vai ser trabalhada é a criação de uma política estadual de esportes. O que isto quer dizer, nós vamos trabalhar com toda a sociedade civil organizada, com todas as entidades, todo o meio social desportivo, de forma democrática, para construir essa política estadual de esportes, que vai culminar no dia 26 de março, quando nós faremos a conferência estadual do esporte. Nesta conferência nós vamos mostrar a estrutura que se propõe na secretaria e o somatória das idéias para nós construirmos um ante-projeto das políticas públicas de esporte. Esse é o primeiro desafio. VV – O senhor tem alguma ação voltado para o Handebol, esporte que o senhor já jogou, inclusive participando da seleção brasileira de Handebol? Kalil – A secretaria, quando da criação da política de esportes, ela vai ter no esporte, a setorial do esporte educacional, a setorial do esporte universitário e a setorial do esporte popular, que vai desde os campeonatos de várzea até as culturas regionais, por exemplo, eu já falei com ex-prefeito de Linha Nova, o Guiomar, quem sabe lá nós podemos fazer um pólo regional do Bolão. Eu acho que nós não podemos ser excludentes, nós devemos incluir todas as modalidades esportivas, para que o estado tem até um esporte de alto rendimento, que é o esporte competitivo, então tu tens que olhar todas as modalidades esportivas, e o Handebol vai estar entre estas modalidades, assim como vai estar qualquer outra. Assim, nós temos que fazer os programas do estados, para um desenvolvimento e um fomento destes esportes, através da Fundergs. Ela vai ter que ser fortalecida e nós vamos ter que fortalecer nossos recursos humanos, nós temos que cada vez mais capacitar e qualificar nossos recursos humanos e dar a oportunidade de o Estado fomentar estes esportes. VV – No Vale do Caí, como o senhor vê o esporte hoje? Kalil – O Vale do Caí tem uma equipe, em parceria com a UCS, de Handebol, inclusive de alto nível, com uma atleta que joga na seleção gaúcha. De acordo com as características de cada município da região, nós vamos fortalecer todas as modalidades esportivas, e eu acho extremamente importante que instituições de ensino possam revigorar e fazer valer regionalmente os jogos escolares, os jogos universitários, os jogos intermunicipais, e nunca esquecendo também da política ocupacional de valorizar o lazer, da criança ao idoso. Então nós vamos realmente acreditar nas políticas públicas, e o meu sonho é, futuramente, dividir o estado em regiões e nós fazer um dos maiores campeonatos de várzea do Brasil. Tu imagina nós pegarmos todos os times do estado e depois fazermos o hexagonal final, ou então duas chaves de três, aqui em Porto Alegre, televisionado pela TVE e fazer uma política assim, fantástica. VV - O senhor já foi secretário de ciência e tecnologia, em 2003, e agora é secretário de esportes, como o senhor vê essa função,tão diferente da que já teve? Kalil – A diferença talvez seja a área que tu vai cuidar, mas a gestão pública, de controlar, fiscalizar e fazer ações que vão de encontro com a sociedade é o mesmo. Eu tinha um desafio na ciência e tecnologia de popular esta área, de olhar a inovação como um fator de desenvolvimento de emprego e de renda e agora eu tenho que cuidar do esporte, como um prolongamento educacional. Ele faz parte da formação geral de um cidadão. Nós temos aqui como a principal missão “Educar Campeões para a vida”. O esporte ajuda a diminuir a drogadição, ajuda a diminuir a criminalidade. Já foi provado que, se tu queres buscar a diminuição da criminalidade, tu coloca esporte no meio. Então, o esporte tem um papel complementar de formação do indivíduo. Então, eu me realizei como secretário de ciência e tecnologia e tenho certeza que vou me realizar como um gestor público no esporte. Nós estamos projetando, inclusive ontem, o ministério (dos esportes) me ligou, para saber se nós poderíamos fazer os jogos indígenas da região sul, que engloba Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já aceitamos este pedido e no final de abril, em Tenente Portela, nós vamos ter os jogos indígenas aqui no RS. Já conversei também com o presidente da confederção de futebol feminino para nós recebermos o sul-americano de futebol feminino de clubes, em julho, inclusive sendo que o Chico Noveleto já confirmou e o estado será parceiro nessa empreitada. VV - O senhor é a favor do ensino integral, correto? Então o senhor acha que este ensino integral deveria estar vinculado à alguma atividade esportiva para preenchimento do dia letivo de um aluno, fora a educação física já constante no currículo escolar? Kalil – Eu acho que o aluno tem que ter um turno na escola, fazendo o ensino básico, fundamental, de formação intelectual de conhecimentos, e o turno inverso tem que ter a “terapia ocupacional”, o reforço pedagógico, a tecnologia de informação, a bilíngüe, tendo, de preferência, uma ocupação no turno inverso, com acompanhamento nutricional, com acompanhamento médico, se possível, e acompanhamento psiquiátrico. Então, nós vamos criar um programa, para apresentar ao governador, que vai ser chamado “ os espaços de multiuso”, de acordo com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano),nós queremos, com parceira do governo federal e outros parceiros, nós criarmos áreas cobertas, em municípios,para que eles possam ter a quadra poliesportiva e que possam ter essas áreas já citadas. Então, o meu sonho, é criar convênios, com as prefeituras, para nós fazermos essas áreas cobertas, com a quadra poliesportiva, que serve também para centro de eventos do município, que serve também para o lazer da criança ao idoso e serve para todas as atividades do município. Nós queremos fazer grandes parcerias com os municípios e não se surpreendam se nós tivermos um grande número desses espaços de multiuso, que ainda não tem um nome, mas vai ser criado ainda um projeto. VV - O vale do caí tem vários desportistas que estão jogando em clubes grandes, como o próprio Adilson Warken, de Bom Princípio, que joga no Grêmio. O senhor tem algum programa que talvez possa ser implantado na região para captação de novos talentos, não somente para o futebol, mas também para outros tipos de esportes, como o handebol, o vôlei, e outros? Kalil – Tenho um carinho muito grande pelo Vale do Caí, já que ele me deu dois atletas, o Paulo Marcelo e o Edson (Caspary), para o Juventude, que na época eu era vice-presidente do Juventude, época que, inclusive, fomos campeões da Copa do Brasil e do Campeonato Gaúcho. Inclusive um desses atletas tem a escolinha de futebol no Vale Real, que tem convênio com o Juventude, e eu posso criar a política estadual, para nós fomentarmos isso, e eu sou o cara mais a favor das escolinhas, que é o projeto Educando Campeões para a Vida, e logicamente que é destas escolinhas que tu vai tirar o atleta de alto rendimento, o atleta que tu pode potencializar para ser um talento esportivo. Eu acho que o bio-tipo mostra porque o Vale cria grandes talentos e grandes atletas. A alimentação saudável, uma educação rígida com limites rigorosos. Tu tem ali uma fábrica de atletas, onde tu tem certas coisas que não podem estar distantes do esporte, que é disciplina, limites, hierarquia e cumprimento do seu dever e o Vale do Caí está de parabéns porque faz esse trabalho. Vamos então,com o governo, criar uma política pública e vamos ver de que forma o governo pode ajudar a fomentar isso. VV – O vale do caí, que é de origem alemã, e a Serra, que é de origem italiana, podem muito bem hospedar uma seleção durante o período de copa. Então, como é que a secretaria de esportes pode ajudar a região neste trabalho? Kalil – A primeira coisa é nós deixarmos claro que a secretaria vai ter um comitê gestor da copa do mundo. Este comitê gestor tem uma matriz de responsabilidade que dá qual serão as responsabilidades do governo federal, qual do governo estadual, das prefeituras sede e dos campos de treinamento, que a sociedade já nomeou como sub-sedes, mas o termo, pela FIFA, é campo de treinamento. Nós vamos dar todo o respaldo e apoio, vamos articular com o município e com a união, para que o RS seja a melhor sede da copa do mundo, porque nós temos aqui na secretaria as câmaras temáticas. Vamos fazer este trabalho com um governo transversal, de coalizão, integrados com todas as secretarias, integrado com a prefeitura, com o governo federal, para realizar todas as obras para deixar o Rio Grande do Sul como a melhor sede da copa. Além disto, temos que saber também o legado que a copa do mundo vai deixar, saber das melhorias na qualidade de vida de todos, deixando isto para toda a sociedade. E ainda mais, nós tivemos uma grande notícia nestes últimos dias, que foi recebida pelo governador. O pessoal da TAP, Transportes Aéreos Portugueses, oficializou, a partir de junho, quatro linhas semanais, de Porto Alegre à Lisboa, e isso é uma grande conquista para nós trazermos o mercado Europeu, e logicamente, o mercado de lá vai se identificar aonde? Na região com descendências alemãs, aí vamos valorizar o turismo, a rota romântica, as micro e pequenas cervejarias, nós temos identificar que o turista europeu se sinta em casa, assim como o turista portenho, assim como o italiano se sinta assim, nos campos da região italiana da serra. VV – A maturidade política que o senhor adquiriu durante os anos certamente ajudou o senhor com os políticos de outros partidos. Então podemos esperar que vossa secretaria divida os recursos sem olhar as cores partidárias? Kalil – Eu nunca olhei cores de partido, eu olhei gestão pública de resultado para a sociedade. Infeliz o gestor público que olhe partido político. Tu tem o período eleitoral, onde tu escolhe os eleitos, depois que tu escolhe, ele é um gestor para 100% da população. Então, eu nunca vou olhar cor partidária e partido político, eu vou olhar meu compromisso com meu partido, que me colocou aqui, com o convite da sua excelência o senhor governador, que eu vou honrar, que vou ser leal aos seus propósitos e ao seu plano de governo, e aqui a gente faz gestão pública não olhando cores partidárias, a gente faz uma política de estado do Rio Grande do Sul. Eu quero sair daqui e deixar legados, deixar feitos para a sociedade gaúcha. Passou por aqui o secretário Kalil Sehbe, secretário de todos os gaúchos. Assim eu me sinto realizado. Eu ajo de forma transparente, todos sabem meu partido político, minha ideologia, mas isto não vai interferir na minha gestão. VV – Qual é o caminho indicado para que os prefeitos possam seguir aqui na sua secretaria para conseguir algum auxílio? Kalil – Primeiro, os prefeitos tem que estar junto na conferência estadual, porque nós vamos definir diretrizes para que tipo de projeto na política pública do estado nós vamos apoiar. Esses apoios a prefeituras, a projetos municipais, vão ter uma integração coma Fundergs, que vai acompanhar o projeto, porque eu não posso mais aconteça de ter mais de 380 projetos que ainda não prestaram contas. Dinheiro público tem que ser muito bem cuidado e muito bem investido. Então qualquer recurso público que for para qualquer evento municipal, para qualquer política pública que for de encontro com a sociedade, vai ter um acompanhamento de um servidor da secretaria, sabendo aonde o recurso está, este servidor vai fazer a análise, vai fazer o relatório, assim como o relatório de quem vai prestar contas tem que fechar com este dinheiro público aplicado. Hoje, infelizmente, nós temos 380 projetos recursos públicos enviados para projetos que sequer prestaram contas. Então, entidades de fachada que vieram aqui, fizeram um projeto e não me prestaram contas, não adianta vir os mesmos, com outro nome, e me pedir recursos. Os recursos públicos vão ser muito bem aplicados. VV – O senhor poderia falar um pouco sobre a caravana da copa e a escola da copa? Kalil – A escola da copa vai ser um projeto de capacitação e qualificação do profissional. Nós vamos partir desde o recepcionista voluntário, até os outros segmentos da sociedade, para esta capacitação profissional. Vamos implantar o “receber bem”, e para isto, vamos buscar recursos dos ministérios e nós vamos com certeza fazer muitas parcerias, para mostrar que nós vamos ser a melhor sede da copa do mundo. A caravana da copa vai ser um projeto para fazer todos nós nos sentirmos parte da copa do mundo, eu quero levar um ônibus, cedido pela Marcopolo, levando nele a tecnologia da informação, para que os estudantes e a comunidade possam ver a história da copa do mundo, o quanto uma copa é importante, vai ter um laboratório de informática aonde nós vamos passar testemunhos de pessoas notáveis que já participaram de copas do mundo e vamos envolver toda a cidade. Cada vez que a caravana chega, a cidade vai ficar se preparando para a copa, no receber bem, na felicidade de nós termos uma copa, porque todos os investimentos que vierem da copa vão se reverter para a comunidade. A mensagem que eu deixo para os leitores é que a copa do mundo somos todos nós e que o legado que a copa vai deixar, todos os investimentos, vão ficar para a sociedade, então vai melhorar a qualidade de vida de todos.