A conquista do bi da Libertadores, fez com que as cidades do Vale do Caí fossem coloridas de vermelho e branco
A conquista do bi da Libertadores, fez com que as cidades do Vale do Caí fossem coloridas de vermelho e branco
20/08/2010 às 14:06
Os olhos e os corpos cansados, pedindo por uma cama, nada são diante da alegria dos corações colorados no amanhecer desta quinta-feira. Diferente não poderia ser, pois na noite de quarta e na madrugada de 19 de agosto os torcedores do Sport Club Internacional tomaram às ruas e fizeram uma grande festa. O clube do povo do Rio Grande do Sul tornou a dar as suas cores ao continente, sendo alterada a saudação matinal entre os amigos, que nesta quinta-feira se abraçavam dando o seu Muito Bom Dia América.
A gigantesca vantagem de ter vencido o primeiro jogo fora de casa, na grama sintética mexicana, tratou de desmoronar ao final da primeira etapa, quando o time do Chivas balançou as redes coloradas. No estádio, 55 mil vozes gritavam, empurrando o Inter. No vestiário, uma sacudida de Celso Roth, e o time vermelho voltou diferente na segunda etapa. Rafael Sóbis, um reserva de luxo, estava em campo em lugar de Alecsandro, machucado, e havia sido inoperante nos primeiros 45 minutos. Havia sido, pois, a estrela de quem foi campeão pelo Inter, e voltou ao Rio Grande do Sul por ser colorado, voltou a brilhar. E como brilhou o jovem Sóbis. Cria das categorias de base do Inter, foi dele o gol de empate, que levava o Inter ao troféu maior. Seria o bastante? Não. Celso Roth, aquele que nunca ganhou nada importante, tratou de mexer no time. Poderia ter retrancado a equipe, já que o empate bastava, mas não o fez. Entraram Leandro Damião e Giuliano.
Damião, um centroavante clássico, parecia ter entrado em campo com um objetivo trocado. E uma disputa de bola com o goleiro adversário teve o desprazer de machucar Tinga. O excelente meio-campista saiu de campo banhado em sangue, com a quase certeza de que não voltaria. Voltou, e como voltou. Damião, mostrando uma qualidade que alguns já conheciam, foi o nome do segundo gol. Arrancou com a bola ainda no campo de defesa do Inter e fez um gol belíssimo. Para entrar na história do clube. Tiveram a infelicidade de machucar ao colega Tinga e, a imensa alegria de fazer a metade vermelha do Rio Grande do Sul chorar de emoção.
Giuliano, menino de ouro do Inter, que havia feito gols em todos os jogos importantes da Libertadores da América, batido não poderia passar. E na grande final, lá estava ele, novamente, em velocidade, com a estrela dos grandes craques. Diante do goleiro deu uma cavadinha na bola, que mansa morreu nas redes adversárias. A aquela altura da noite, nada mais poderia segurar a festa vermelha, nem mesmo um novo gol do Chivas. A taça erguida por Bolívar, o general e capitão colorado, deu início a uma festa que não tem dia e não tem hora para acabar. Choram os jogadores, dirigentes, e até Pelé, que horas antes ganhou camisa 10 do Inter, com seu nome gravado às costas.
Carreatas, fogos, buzinaço e uma alegria imensurável foram a tônica da madrugada de quinta, 19 de agosto de 2010. Os vermelhos voltaram às ruas, fazendo uma grande festa, tornando a pintar a América. Cidades como Feliz, Bom Princípio, São Vendelino, Alto Feliz, Tupandi, Vale Real, enfim, todos os recantos do Rio Grande do Sul, foram alvo de muita festa, afinal, o Sport Club Internacional, 101 anos na primeira divisão, novamente deu as cartas do futebol no continente.
Antes de pensar no novo confronto com a Inter de Milão – a qual os vermelhos derrotaram há poucos anos – a meta é o campeonato brasileiro, que tantos colorados não viram ser conquistado. E é em nome da emoção alvirrubra que os jogadores se dedicarão, com a alma colorada de Sóbis, Guiñazu, D’Alessandro, Renan, Índio e companhia limitada, para novas alegrias trazer aos corações colorados. Com o gosto da vitória os colorados, quase sem voz, agora gritam: Inter, campeão de tudo e mais um pouco.