Hora de abraçar os donos da terra

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Colonos e motoristas sustentam o progresso do país


23/07/2010 às 08:30

Carro de boi ainda é usado como transporte pelos colonos

Carro de boi ainda é usado como transporte pelos colonos

Região -

Não ri seu moço daquele colono, é um brasileiro que ali vai passando. Ele não veio aqui te pedir nada, são ferramentas que está comprando. Com a música intitulada O Colono, aquela que abriga estes versos singelos, Vítor Mateus Teixeira, o imortal Teixeirinha, homenageou aqueles que, com braço forte, perseverança e muito trabalho, tiram da terra o nosso sustento. Assim como os motoristas, que transportam o progresso pelo Brasil a fora e até para o exterior, eles merecem o nosso reconhecimento diário, mas especialmente neste 25 de julho, o dia deles. Então, ao menos hoje, se não sempre, vamos abraçá-los.
Estabelecido no bairro Matiel, João Pedro Tenroler, 48, pula muito cedo da cama para meter a mão na terra. A partir das 6h, ele começa a tratar dos seus bois e vacas e a meter a mão nos seus 18 hectares de terra. “Os animais eu crio para vender a matadouro, a R$ 2,80 o quilo. Já o leite é apenas para o consumo da família”, diz. Seu plantel abriga o cruzamento das raças Hereford, Gir e Angus. “É uma cruza muito forte”, salienta o produtor rural, que é plantador de milho
Vizinho de João Pedro, Osmundo Kaspary, 73, tem muito tempo de estrada nas lides agrícolas. Antes, ele trabalhou no setor industrial. “Eu planto soja”, diz o idoso agricultor, iluminando o rosto com um sorriso de satisfação de que gosta daquilo que faz. “Começo a trabalhar às 6h e vou até quando for possível”, assegura, só reclamando de uma dor nos joelhos.

ALFACE, CEBOLINHA E...

Alface, salsa, cebolinha, espinafre e as diversas espécies de couve (flor, verde e manteiga) são cultivadas pela família Sander, de Escadinhas, nas terras de Marco Boetcher. “A produção é vendida diretamente na Ceasa”, diz Gilberto, 28, um dos filhos de Roberto e Ivone. Rosilene, a irmã, também, participa do processo. “A gente trabalha direto, inclusive nos finais de semanas’’, garante. Para ele, ao contrário do que poderia parecer, “o prejuízo causado à plantação pela chuva e o frio é pequeno”.
Uma vida na agricultura? Se é verdade que as gerações se contam à cada 25 anos, daria para dizer que, no caso de Lothário Schneider (Loto), são três existências trabalhando no campo. Afinal, ele está com 75 anos vividos com muita satisfação e alegria. Moradora na estrada do Canto do Rio, no bairro Matiel, ele diz que “nasci aqui mesmo, em uma família de agricultores. Tanto meus pais, Carlos e Regina, como a madrasta, paulina, trabalhavam na agricultura”.
Criador de gado leiteiro junto com o irmão, Aloysio, ele também começa o dia de trabalho bem cedo. Pouco antes da 6h já se pode ouvi-lo cantando pela estrada. Quem botar a cara na janela, possivelmente o verá correndo pela rua, mostrando uma energia que muitos jovens não têm. “Naquela hora eu já busco os animais (30 cabeças)”, diz lodo. Chegando aos 150 litros diários, a produção de leite é vendida à Cooperativa Piá (a R$ 0,50 o litro), que a recolhe a cada dois dias.
“Sou muito feliz porque gosto e me divirto com o que faço”, enfatiza Loto. Ele realça, também sua adoração pelo local onde mora: “Quando eu morrer, quero levar junto um pouco da terra daqui”, conclui.

Edição nro. 196

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