Harmonia também terá seu livro
Harmonia também terá seu livro
14/06/2011 às 10:41
A busca pelas origens de Harmonia iniciou há décadas e assim, de boca em boca, muitas histórias foram contadas. Levando em consideração a preservação histórica, o prefeito Sílvio André Specht convidou o escritor Alex Steffen a fazer uma pesquisa mais aprofundada sobre o assunto.
Aproveitando que o escritor está rumando pela Alemanha, o prefeito pediu que fosse feito levantamento mais detalhado sobre a região do Hunsrück de onde provém os imigrantes que colonizaram Harmonia. Steffen, tendo por base pesquisa do historiador Felipe Kuhn Braun, acredita que boa parte da parte da colonização de Harmonia esteja lincada com Hahn, que é uma pequena cidade alemã.
Conforme o escritor o material sobre a história de Harmonia é muito rico e merece ser imortalizado em um livro, para que as gerações futuras também possam saber, com precisão de onde é sua origem.
O trabalho de pesquisa está em fase inicial, mas a expectativa de Steffen é que ele possa ser concluído até o final deste ano.
Harmonia como distrito
Harmonia é uma antiga área de colonização alemã que começou a ser povoada em 1855. Naquela época o território pertencia ao município de Triunfo. Um pouco mais tarde, em 1873, com a com a criação de Montenegro, Harmonia passou a pertencer a este município. E assim permaneceu até o ano de 1988, quando por lei estadual assinada no dia 13 de abril, foi decretada a criação do município de Harmonia.
No período anterior à sua emancipação, o povo da localidade já havia conseguido algumas conquistas importantes. A fundação da Cooperativa dos Suinocultores do Caí Superior, em 1935, e a construção da Igreja Matriz, consagrada em 1954, foram realizações significativas da comunidade. O Salão Fink foi, com seus famosos bailes, outro ponto marcante da vida social harmoniense neste período.
Na época em que Harmonia era um distrito de Montenegro, outros dos atuais municípios da região viviam uma situação semelhante. Tupandi, Pareci Novo, Brochier, Maratá e parte de São José do Sul pertenciam também a Montenegro. São Vendelino, Bom Princípio, São José do Hortêncio e Capela de Santana pertenciam ao Caí. Alto Feliz, Linha Nova e Vale Real integravam o município de Feliz. São Pedro da Serra, Barão e parte de São José do Sul pertenciam a Salvador do Sul. E Harmonia, graças à importância que sempre teve na política municipal montenegrina, recebia um bom atendimento por parte daquela prefeitura. Tanto que a vila bem constituída e dotada de estrutura que podia ser invejada por outras localidades interioranas da época, inclusive Bom Princípio. Em 1981, quem visitasse Bom Princípio e Harmonia teria melhor impressão do então distrito montenegrino do que do caiense. Por isto mesmo não havia, naquela época, um interesse tão acentuado da população e das lideranças de Harmonia pela sua emancipação de Montenegro.
Mas, quando começou a mobilização pela emancipação de Bom Princípio, no ano de 1981, correu a notícia de que Tupandi e Harmonia seriam incluídos no projeto. E, como os harmonienses não podiam conceber a ideia de ser um distrito de Bom Princípio, começou a haver a mobilização para a emancipação como uma forma de reagir a esta ameaça.
Cooperativa que faz crescer
Conforme descreve o padre Bruno Metzen no seu livro, “na década de 1930 a produção agropecuária se desenvolveu bem em Harmonia e arredores. Principalmente a suinocultura. Os colonos criavam e produziam, mas era preciso vender o fruto do seu trabalho. Levavam, então, a produção de suínos ao Frigorífico Renner de Montenegro. O transporte era primitivo e difícil. Dispunham de carroças puxadas por seis ou oito burros. A estrada era pouco transitável e cada viagem durava quase dois dias. A compensação era pequena.”
A solução para o problema dos colonos surgiu a partir de uma ideia lançada pelo professor SiegfriedKniest. Ele era funcionário da Sociedade União Popular, uma entidade de origem religiosa (católica) que visava promover o desenvolvimento da região colonial alemã. Funcionários desta organização (também conhecida pelo nome alemão Volksverein) percorriam as comunidades viajando a cavalo ou de burro. Visitavam os colonos dando orientações técnicas sobre agricultura e pecuária e procuravam uni-los em torno de objetivos como a melhoria da educação e saúde. O professor Siegfried era um destes funcionários da União Popular e Harmonia era uma das comunidades que lhe cabia assistir. Sabendo do problema dos produtores de suínos na localidade, ele propôs que fosse constituída uma cooperativa ou uma empresa para promover o abate dos suínos na própria localidade.
A ideia agradou aos colonos e, após algumas reuniões preparatórias, 38 produtores locais se reuniram no dia 29 de julho de 1935 numa assembleia na qual foi decidida a criação da Cooperativa de Produtos Suínos do Alto Caí. A reunião aconteceu no salão de Jacó FridolinoFink. Desde então, a Cooperativa de Harmonia (como ficou mais conhecida popularmente), se constituiu na principal empresa da localidade. Posição que ainda mantém até hoje.
Município progressista
O desenvolvimento de Harmonia desde a sua emancipação é tanto que o pequeno vilarejo virou uma cidade exemplar. De Vila e de Colônia, Harmonia ainda tem lembranças, mas com o passar dos anos ganhou vistosidade com sua estruturação urbana e interiorana. Evidente que nem tudo são flores (ou citros), pois há muito o que ser feito no município, mas é uma questão de tempo para que o município seja ainda mais destacado.
O empreendedorismo do povo é uma circunstância que pesa a favor de Harmonia que tem na produção rural a sua base e na indústria condições de progresso. Quando completar suas bodas de prata, em dois anos, ou quando fechar três décadas de emancipação, certamente, os níveis de desenvolvimento serão ainda maiores.
E assim, nesta semana, Harmonia festeja o seu aniversário, não parando para tal, muito pelo contrário, continuando a trabalhar para que tudo esteja a contento a cada dia que o sol raiar.