A morte da cadela Mulan, cinco dias depois do parto, fez com que os filhotes fossem adotados por um casal, suas mamadeiras são de garrafa pet
A morte da cadela Mulan, cinco dias depois do parto, fez com que os filhotes fossem adotados por um casal, suas mamadeiras são de garrafa pet
29/10/2009 às 14:14
Um homem e uma mulher sentados com mamadeiras cheias de leite em suas mãos dão a clara ideia de que estão dando alimento às crianças, não é? Mas depois do ocorrido em Harmonia, esta máxima deve ser repensada, pois Dirse e Daniel Hartmann estão sim, alimentando mamíferos, contudo não eram os primeiros filhos do casal, mas sim, cães órfãos de mãe.
A cena pode até parecer inusitada, mas é um fato que demonstra a relação afetuosa entre homens e animais. Tudo ia bem com a cadela Mulan, que teve mais uma ninhada de filhotes num dia de outubro, porém, no dia 12, quando Daniel foi dar uma olhada nos pequenos e na genitora, foi surpreendido ao ver a cachorra estendida no pátio, já sem vida. “No momentro fiquei consternado, como se tivesse perdido um parente próximo, já que o apego a ela era grande”, relata Daniel, que fez o sepultamento do animal.
A primeira preocupação foi com os filhotes, afinal os pequenos estavam ali, fadados a morte por inanição. “Logo ligamos para conhecidos para procurar por cadelas que estivessem com filhotes para que pudéssemos colocar os filhotes a mamar nesta outra cadela, mas não encontramos”, relata Hartmann. “Devido ao caso, alguns cogitaram que sacrificássem os os filhotes, já que não havia outra cadela para substituir a mãe, mas isto nem sequer passou pelas mentes de Daniel e Dirse que resolveram o problema por conta própria.
Lá se foi o casal ao mercado, em pleno feriado, para comprar mamadeiras e leite. Sob a recomendação de amigos compraram leite C, que não é tão forte quanto o B, e trataram de ir para casa, alimentar os pequenos que, naquele momento, corriam risco de morte.
“Como a experiência era nova, o primeiro dia foi de tristeza da perda da cadela de estimação, mas de alegria por termos agora cinco filhos pustiços para criar. No início eram mamadeiras a cada uma hora e meia, em média, mas agora já estão dormindo mais nos intervalos das refeições”, lembra Daniel.
O casal logo percebeu que havia um outro porém, pois na hora dos pequenos dormirem necessitavam de calor materno. Seria impossível e impensável levá-los à cama, assim, surgiu uma prática utilizada quando filhotes são levados a um novo lar. Uma garrafa PET, destas de refrigerante de dois litros, foi utilizada como “mãe”, sendo enchida de água morna e assim colocada na caixinha dos pequenos. Tudo bem que se tratava de um improviso, mas os cinco tiveram algum calor materno.
“O que os mais espantou foi a solidariedade de pessoas conhecidas, que não só apoiam e incentivam nossa empreitada, como duas crianças deram sua própria mamadeira, fosse ela não mais usada ou a de chá, para que usássemos na alimentação dos órfãos”, salientou Daniel agradecendo pelo apoio recebido.
Se a morte de Mulan, uma labrador de sete anos e meio, foi triste para Daniel e Dirce, foi também uma lição de vida para muitas pessoas, pois eles, que são tão ocupados em suas vidas profissionais, tiveram a grandiosidade de cuidar dos bichinhos. Foram pai e mãe de cachorrinhos, sendo humanos ao extremo. O casal mostrou ser grande no seu jeito de ser, deixando um exemplo de doação a todos aqueles que vivem de maneira incoerente com os conceitos de humanidade. Fica evidente que se trata de uma ação de amor pelos animais, contrapondo uma sociedade em que, muitas vezes, as pessoas não amam nem mesmo o seu familiar.